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Como começou

Mais ou menos a partir de Abril de 1942, Alexandrina vive a destruição do seu próprio corpo, como ela mesma nos anuncia :

« Desde Sexta-feira Santa principiei a sentir-me morta no calvário no meio das maiores trevas e abandono. Caíram sobre mim todos os leões. Não deram sepultura ao meu corpo ; vinham as aves nocturnas e, apesar das negras trevas, viam para comer o meu corpo »[1].

Alexandrina acabara de viver a Paixão, como todas as sextas-feiras, mas desta vez, a mesma crucifixão não teve o termo habitual, como ela explica no seu Diário desse dia :

« Fiquei sempre neste sofrimento e agora sinto essas aves a enterrar o bico nos meus ossos e reduzirem tudo em cinzas. A cruz onde fui cravada caiu por terra, mas ainda sinto uma parte do meu corpo presa pelos cravos ».

Esta parte do corpo que ainda está presa pelos cravos, vai tornar-se, para aquelas aves — que representam a humanidade — de um interesse primordial de sustento, portanto de vida :

« Agora — continua a explicar Alexandrina no mesmo Diário — essas aves ainda têm muito que escabulhar no meu corpo que não tem vida nenhuma da terra, apenas o meu coração sente uma vida que não é humana, é vida divina; essa vida divina dá-lhe sangue e sinto a humanidade inteira a beber essa vida divina como se fossem avezinhas ».

Depositado — sem sepultura — no meio dum grande e vasto cemitério, o corpo da Alexandrina vai, pouco a pouco transformar-se em cinzas, não sem que a humanidade, representada por aves de rapina, continue a alimentar-se nesse corpo em decomposição, onde apenas o “coração sente uma vida que não é humana, é vida divina ; essa vida divina dá-lhe sangue”, e é deste sangue que aquelas aves, “a humanidade inteira [vem] beber essa vida divina como se fossem avezinhas”.

Mas, algo de mais doloroso ressalta desta constatação :

« Agora sinto que só depois dessas aves nocturnas reduzirem os meus ossos a cinzas é que poderei partir ».

Outra constatação de suma importância e que terá repercussões futuras é esta :

« Eu nunca mais me sinto — escreve ela — agora na cruz : é sempre o sofrimento que está dito. Este não é menos doloroso ».

Isto significa, ou quer dizer que a Paixão vivida até então pela Alexandrina — Paixão visível, entenda-se — terminará, dando lugar a outra Paixão também vivida, já não só todas as sextas-feiras, mas todas as vezes que o Senhor o exigirá da sua vítima, para o bem das almas pecadoras. Este novo modo de viver a Paixão do Senhor, durará nesta forma até à morte da “Vítima de Balasar”, como ela próprio explicou ao Padre Humberto Pasquale que a esse respeito a interrogara :

« Outrora estes sentimentos e sofrimentos (relativos à Paixão) padecia-os especialmente durante as três horas de sexta-feira, das 12 às 15; as dores da Paixão sucediam-se por ordem; agora, não. O pavor por estas dores dura quase sempre: às terças, às quartas, às quintas ou às sextas-feiras: em horas distintas, sofro ora este, ora aquele tormento da Paixão »[2].

Aquando do processo informativo diocesano, Deolinda da Costa, irmã de Alexandrina testemunhou :

« Depois de 1942 terminaram as manifestações exteriores da Paixão, mas continuou até à morte a sofrer interiormente os tormentos da Paixão e continuaram os êxtases das sextas-feiras, até à morte, mais breves e que ouvi chamar “êxtases dolorosos” »[3].

Quer a mesma afirmação acima referida anunciar também a próxima consagração do mundo ao Coração Imaculado de Maria, visto que a Paixão visível tal como a vivia Alexandrina era um “sinal” dado por Jesus para confirmar a veracidade do seu desejo de ver o mundo consagrado à sua Bendita Mãe, pedido que Ele mesmo confiara à Alexandrina desde 1935.

Continuando a descrição do estado da sua alma naquele cemitério onde nem foi sepultada, ela escreve ainda no Diário do mesmo dia :

« Sinto os leões a aproveitarem-se mais da carne, mas da carne que já está podre, nojenta, e as aves com os seus grandes bicos metem-nos nos ossos e broqueiam-nos. Não compreendeis quanto sofro, nem eu mesma sei explicar ».

O estado da alma da Alexandrina, é deveras aflitivo e insuportável, visto que a 6 de Maio de 1942, ela escreve para o seu Diário este grito vindo do mais profundo do seu ser :

« Ó trevas, ó trevas, ó negras e assustadoras trevas ! Ó Céu, ó Céu, dá-me a tua luz ! Recebi tamanhos golpes no meu coração e sinto que ficou tão aberto e tão retalhado que me parece não ter forma de coração humano; contudo é um fontanário de sangue que brota com toda a abundância. É a vida divina que o faz brotar e sinto toda a Humanidade a beber dele com toda a força, com receio que ele se esgote »[4].

“O meu coração — diz ela — é um fontanário de sangue que brota com toda a abundância”. Mas não será sempre assim, visto que a fonte vai diminuir e aquele sangue que dela brota, escorrerá cada vez menos, ao ponto de ser necessária uma intervenção divina : a transmissão do Sangue divino para o Coração — e mesmo para todo o corpo — da Alexandrina.

É a esta transmissão ou transfusão que nós vamos consagrar este trabalho — como já anunciado —, pois não consta nos anais da Igreja Católica que um tal carisma tenha sido dado a qualquer outro Santo ou Bem-aventurado : Jesus alimentar a sua vítima, fazendo passar do seu divino Coração para o coração desta o sangue que lhe pirmitirá continuar a viver e a sofrer para a salvação das almas pecadores.

Interrogámos alguns peritos em ascética e mística e fizemos nós mesmos pesquisas nesse sentido e não encontrámos um tal carisma, salvo — como também já dito acima, na Beata ängela de Filigno —  e sobre outra forma ainda, em Santa Matilde de Hackerborn, onde certas semelhanças existem : ela “mergulhava” no Coração divino para lá retomar forças, sobretudo espirituais.

« Por fim — Jesus — uniu o seu dulcíssimo Coração ao coração da sua amada ; aplicou-lhe o fruto do seu trabalho de meditação, de devoção, de amor, e enriquece-o de todos os bens. Então esta alma toda inteira, incorporada em Cristo Jesus, derretida pelo amor, como a cera pelo fogo, recebeu o selo da semelhança divina. É assim que esta bem-aventurada se tornou uma mesma coisa com o seu bem... »[5]

Mais tarde, a esta mesma Santa, o Senhor dirá que quando uma alma é admitida na sua intimidade, « Ele lhe oferece o manjar mais delicioso, ou seja o sacramento do seu Corpo e do seu Sangue »[6].

« O meu coração... vai deitando uma gotazinha de sangue...

Na ocasião em que Alexandrina escreve, um outro grave problema a contraria : o afastamento do seu Director espiritual — o Padre Mariano Pinho —, proibido pelos seus superiores de continuar a ocupar-se da “Doentinha de Balasa”. Ela confessa no diário desse mesmo dia :

« O meu estado de alma agravou-se assim depois de saber o muito que fazem sofrer o meu Paizinho, contudo não perco a minha confiança de que Jesus há-de justificar a sua inocência ».

Alguns dias depois, Alexandrina volta a falar sobre o estado da sua alma, sobre aquele sangue que brotava abundantemente e que agora escaceia :

« O meu coração continua como a lâmpada amortecida. De longe a longe vai deitando uma gotazinha de sangue que a Humanidade ainda vem aproveitá-las. Cada uma delas parece ser a última. Sinto que ele ainda está preso à vida divina por um fiozinho comparado a um arame fininho que à mais pequenina cloisa pode partir »[7].

Já quase nada há daquele sangue que alimentava a pobre humanidade. Alexandrina queixa-se, mas queixa-se confiantemente : ela não duvida da misericórdia divina, apenas constata que aquele “fiozinho da vida divina” está prestes a quebrar e a privar a humanidade daquele alimento essencial :

« O fiozinho da vida divina que estava ligado ao meu coração, apesar de sentir que o não tenho, ainda está ligado ao lugar onde ele habitava. Sinto que ele está a cada momento a querer quebrar. A fúria da horrenda tempestade dá-lhe todos os abalos. Do pequenino lugar que ocupava o meu pobre coração sai, de longe a muito longe, umas escassas gotas de sangue. Agora é que eu sinto quanto a pobre Humanidade necessita dele ; toda ela sequiosamente o que sugar. Ó meu Jesus, não abandoneis a pobrezinha que sempre em vós confiou e confia. Apesar de tudo sentir perdido por entre as trevas, é de vós que tudo espero »[8].

A aflição da Alexandrina era grande, grandes eram os seus sofrimentos ao ponto que o Senhor desejou consolá-la, inspirar-lhe coragem :

— « Minha filha, minha filhinha, não temas, não temas, que nada tens que temer. Tens em ti a força do Céu e da terra. A carne e o sangue de Jesus é o teu alimento. Grava em teu coração a minha divina Imagem e nos momentos da tua aflição olha para ela e contempla-me crucificado. Tem coragem? É a onda de crimes que alastra o mundo. Compadece-te da minha dor. Desagrava-me, minha filha, repara pelos pecadores. Tem coragem ! A minha divina vontade há-de cumprir-se. Minha filha, minha filha, meu amor !

Abraçava-me, acariciava-me, beijava-me, e ao mesmo tempo que recebia os ósculos de Jesus, sentia entrar-me força para o meu coração. Ó como Jesus é bom ! Como Ele e só Ele é a força dos fracos ! »[9]

A Santa Matilde de Hackerborn, no século XIII e que já citamos, o Senhor repetia quase as mesmas frases :

— « Vem arrepender-te, vem reconciliar-te, vem consolar-te, vem receber a bênção. Vem a minha amiga receber o que o amigo pode dar àquele que ama. Vem, minha imã, possuir a herança eterna que adquiriste pelo meu sangue ! Venha minha esposa, gozar a minha divindade »[10].

O coração da Alexandrina e o Coração de Jesus, vão unir-se ao ponto de formarem um só coração, ao qual virá, muitas vezes, unir-se o Coração Imaculado de Maria, formando assim uma trindade muito particular e muito unida.

Em Setembro de 1943, Jesus lhe dirá :

― « Minha filha, amor, amor, amor. O teu coração e o meu é um só; estás toda transformada em mim. Eu sou a tua vida; não tens a vida humana, tens a vida divina. Não tens a vida da terra, vives a vida do Céu. A tua vida terá sempre espinhos, um espinho penetrará outro espinho e assim crucificada à minha semelhança passarás ao Céu cravada na cruz por amor de mim. Pede-me, minha filha, pede-me o que quiseres em nome do meu divino Sangue e em nome das dores de minha Mãe Santíssima, tudo alcançarás »[11].

“Estás transformada em Mim”, afirma-lhe Jesus e, esta não será a única vez que lhe anunciará tal transformação.

Mas esta transformação, esta “imagem” de Cristo que ela encarna, será algumas vezes visível por aqueles que a visitam.

Um dia, um sacerdote, teólogo experimentado, visitou a “Doentinha de Balasar”, fez-lhe numerosas perguntas, algumas delas com verdadeiras dificuldades teológicas, às quais Alexandrina respondeu com a simplicidade que lhe era natural. O sacerdote, que não se considerava como possuidor da “ciência infusa” estava encantado com todas aquelas respostas simples e cheias de bom senso, antes de se despedir da sua hóspede, quis rezar com ela algumas orações. Ajoelhou-se junto ao leito e ambos rezaram fervorosamente. Ao levantar-se, para se despedir da Alexandrina, qual não foi a sua surpresa ao ver que o rosto da “Doentinha” tinha desaparecido, deixando em seu lugar o rosto de Cristo.

Testemunhou deste “incidente” extraordinário e disse :

— Sou professor de teologia, mas nunca, nunca, me explicaram, com palavras tão simples e portanto tão certas, o que é o mistério da Santíssima Trindade, como o fez a Alexandrina.

Jesus avisara que assim seria :

« Este bálsamo é para que os teus lábios se fortaleçam e possam mover para falares às almas do meu amor e aconselhares com a luz do Espírito Santo a reconciliarem-se comigo, a seguirem a minha lei »[12].

E ainda :

« Ditosas aquelas [almas] que vêm junto de ti e que os teus olhos as fitam ! São os meus olhares sobre elas, são as minhas ternuras e a Minha compaixão. Criei-te para elas, para esta sublime missão ».

“Eu sou a tua vida ; não tens a vida humana, tens a vida divina. Não tens a vida da terra, vives a vida do Céu”.

Isto desconhecia aquele professor de teologia. Todavia, dá-nos uma grande lição de humildade e de lealdade : sobre aceitar uma evidência e por isso mesmo o Senhor premiou-o, mostrando-lhe o seu divino Rosto.

Lemos ainda : “Pede-me o que quiseres em nome do meu divino Sangue”, diz Jesus à Alexandrina. É que o Sangue redentor tem um valor inestimável, um poder incalculável, um mérito insondável.

São Bernardo de Claraval assim o entendeu, pois escreveu, comentando o Cântico dos Cânticos :

« Mas se o vosso sangue não intercede para mim a vossa misericórdia, eu não serei salvo. É para obter todas as graças que corremos até vós ; concedei-nos o que vos pedimos, dado que o nosso clamor vai até Vós »[13].

Falando deste Sangue a nenhum outro semelhante, Santa Catarina de Génova, autora do “Tratado do Purgatório”, diz :

« Deus abre em certa medida a veia e tira o sangue para a humanidade ; e a alma permanece como mergulhada num banho e, quando não há mais sangue no corpo, e que a alma está toda transformada em Deus, então cada um vai para o seu lugar, em outros termos : a alma permanece em Deus, e o corpo vai para o sepulcro »[14].

Falando do seu Sangue redentor, aquele Sangue que Ele derramou até à última gota, Jesus disse um dia a Santa Gertrudes de Helfta :

« Pelo meu Santo Espírito, far-te-ei minha esposa unir-te-ei a mim numa união inseparável. Residirás em mim, fechar-te-ei no meu vivo amor. Vestir-te-ei da púrpura gloriosa do meu sangue precioso. Far-te-ei uma coroa de um ouro escolhido, do ouro da minha morte dolorosa. Para mim mesmo realizarei o teu desejo, e também te farei feliz para a eternidade »[15].

Vejamos agora, mais demoradamente aquele carisma particularíssimo de que acima falámos e ao qual consagramos este trabalho : a transfusão.


[1] Sentimentos da Alma : 3 de Abril de 1942.

[2] Padre Humberto Maria Pasquale, sdb : A Paixão de Jesus na Alexandrina.

[3] Summarium :  pag. 223.

[4] Sentimentos da Alma  : 6 de Maio de 1942.

[5] Santa Matilde de Hackerborn : O livro da graça especial ; Primeira parte, capítulo I.

[6] Santa Matilde de Hackerborn : O livro da graça especial ; Primeira parte, capítulo XXII, 41.

[7] Sentimentos da Alma : 14 de Maio de 1942.

[8] Sentimentos da Alma :  24 de Maio de 1942.

[9] Sentimentos da Alma :  27 de Maio de 1942.

[10] Santa Matilde de Hackerborn : O Livro da Graça especial, Segunda parte, capítulo I, 1.

[11] Sentimentos da Alma :  18 de Setembro de 1943.

[12] Sentimentos da alma :  1 de Setembro de 1950.

[13] S. Bernardo de Claraval : Sermão XXII sobre o Cântico dos Cânticos.

[14] Santa Catarina de Génova : Diálogos, cap. 9.

[15] Santa Gertrudes de Helfta : Os exercícios, 3.

   

 

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